(1961, Rio de Janeiro, Brasil) surgiu no circuito de arte ao participar da emblemática coletiva Como vai você, Geração 80? , na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV Parque Lage), no Rio de Janeiro, em 1984. Como no caso de muitos de seus colegas da chamada “Geração 80”, sua produção inicial está em consonância com o processo de retomada da pintura no contexto internacional, influenciado pela tendência do neoexpressionismo alemão. Carregadas de elementos visuais e volume de tinta, suas primeiras pinturas apresentam um caráter matérico, distinguindo-se pelo uso intuitivo de cores contrastantes e vivas que é notável em suas obras até hoje. No começo da década de 1990, Canale mudou-se para Düsseldorf, na Alemanha, onde estudou sob orientação do artista conceitual holandês Jan Dibbets. Suas composições passaram a investigar a espacialidade, a partir da sugestão de planos e profundidades e da maior fluidez no uso das cores, características que marcaram sua produção nesse período.
Geralmente baseadas em cenas prosaicas do cotidiano, muitas vezes extraídas da fotografia publicitária, suas obras resultam de um elaborado trabalho de composição e se destacam por transitar entre a figuração que se esvai na abstração, por um lado, e a abstração que evoca uma figuração, por outro. Para o curador e crítico de arte Tiago Mesquita, a produção de Canale contrapõe-se à busca por estruturas de constituição da imagem conforme praticado por artistas como Gerhardt Richter e Robert Ryman, uma vez que aborda “a imagem e os gêneros consagrados da pintura de forma subjetiva, acreditando em uma experiência singular”.
Cristina Canale vive e trabalha em Berlim, Alemanha. Seu trabalho vem sendo apresentado em diversas exposições, dentre as quais se destacam as seguintes individuais: Cristina Canale - Dar Forma ao Mundo , na Casa Roberto Marinho (2024), no Rio de Janeiro, Brasil; The Encounter , na Nara Roesler, em Nova York (2021), Estados Unidos; Cabeças/Falantes , na Galeria Nara Roesler (2018), em São Paulo, Brasil; Cristina Canale: Zwischen den Welten , no Kunstforum Markert Gruppe (2015), em Hamburgo, Alemanha; Entremundos , no Paço Imperial (2014), no Rio de Janeiro, Brasil; Espelho e memória – Spiegel und Erinnerung , na Galerie Atelier III (2014), em Barmstedt, Alemanha; Protagonista e domingo , no Instituto Figueiredo Ferraz (IFF) (2013), em Ribeirão Preto, Brasil. Participou da 6ª Bienal de Curitiba, Curitiba, Brasil (2011), e da 21 a Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil (1991), na qual recebeu o Prêmio Governador do Estado. Exposições coletivas recentes incluem : Ateliê de gravura: da tradição à experimentação , na Fundação Iberê Camargo (FIC) (2019), em Porto Alegre, Brasil; Mulheres na Coleção MAR , no Museu de Arte do Rio (MAR) (2018), no Rio de Janeiro, Brasil; Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos , na Oca (2017), em São Paulo, Brasil; O espírito de cada época , no Instituto Figueiredo Ferraz (IFF) (2015), em São Paulo, Brasil; Figura humana , na Caixa Cultural (2014), no Rio de Janeiro, Brasil. Possui obras em importantes coleções institucionais como: Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói), Niterói, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), Rio de Janeiro, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.