A obra de Carlito Carvalhosa (n. 1961, São Paulo, Brasil - m. 2021, São Paulo, Brasil) envolve, predominantemente, pintura e escultura. Nos anos 1980, integrou, com Rodrigo Andrade, Fábio Miguez, Nuno Ramos e Paulo Monteiro, o Grupo Casa 7, de São Paulo. As tendências do neoexpressionismo eram visíveis na produção desses artistas, tendo em vista a utilização de superfícies de grandes dimensões e a ênfase no gesto pictórico. No fim dessa década, após a dissolução do grupo e alguns experimentos com encáustica, Carvalhosa concebeu quadros com cera pura ou misturada a pigmentos. Nos anos 1990, dedicou-se à produção de esculturas de aparência orgânica e maleável, utilizando materiais diversos, caso das “ceras perdidas”. Ainda em meados dessa década, fez também as esculturas em porcelana.
Carvalhosa atribuiu profunda eloquência à materialidade do suporte, mas a transcendeu e abordou questões mais amplas, relativas às transformações do espaço e do tempo. Deparamo-nos, em sua prática, com a tensão entre forma e matéria, explicitada na disjunção entre o visível e o tátil. Aquilo que vemos não é o que tocamos, assim como o que se toca não é o que se vê. A partir dos anos 2000, o artista realizou pinturas sobre superfícies espelhadas que, nas palavras do curador Paulo Venâncio Filho, “colocam nossa presença dentro delas”. Não raro, Carvalhosa realizou instalações em que, além das técnicas usuais, utilizava materiais como tecidos e lâmpadas.